A cadeia produtiva dos uniformes dos times de várzea
Por Henrick Strombeck
Times de várzea carregam história e identidade
Quando pensamos em times do futebol de várzea da região, não se trata apenas de pessoas jogando bola. Muitas vezes, o time representa uma comunidade, um bairro. Une pessoas, sejam elas com muitas coisas em comum ou não, para torcer por algo que carrega um propósito.
E uma forma de exibir sua personalidade é através dos uniformes.
Assim que o time de várzea é criado, o primeiro passo é a criação do escudo. O segundo passo é a idealização de um uniforme para chamar de seu. Após isso, a ansiedade de ter esse uniforme em mãos é enorme, e os times fazem o que podem para arrecadar dinheiro para a confecção dele.
Mas essa cadeia produtiva é muito complexa: técnicas, aparelhagem, orçamentos, prazos e empresas. Para entendermos mais sobre isso, buscamos a empresa Duty Sports, que trabalha com confecção de roupas, em especial, uniformes esportivos. Andressa Amaro, responsável pelo marketing da empresa, explicou-nos o início da trajetória da empresa e como funciona essa produção.
Criada em 2014, seu início foi focado na confecção de roupas sociais e uniformes empresariais. Porém, após solicitações, eles decidiram se aventurar no ramo esportivo.
Faixada da empresa Duty, localizada na Zona Norte de Sorocaba.
Fonte: Henrick Strombeck
Passo a passo
No início de tudo, é necessário fazer a concepção do uniforme. Através de um aplicativo, os idealizadores podem esboçar suas ideias primárias, escolhendo cores, modelos específicos de uniforme, o escudo e os patrocinadores para imaginar como ficará o futuro traje. Após isso, essa concepção passa pelas mãos de um designer que, de maneira mais minuciosa, deixa tudo conforme o desejo do cliente.
Assim ficam os uniformes após ultíma etapa do desing.
Fonte: Henrick Strombeck
Apesar de existirem vários métodos de confecção, o adotado pela Duty é o de sublimação. Esse processo consiste em usar calor para transferir a tinta de um papel especial para o tecido. Primeiro, o desenho é impresso com tinta sublimática no papel, e depois esse papel é colocado sobre o tecido de poliéster, em uma prensa térmica. Com o calor, a tinta se transforma em gás e penetra nas fibras do tecido, fixando a imagem de forma permanente. Quando esfria, a estampa fica com cores vivas, sem relevo e sem desbotar facilmente.
Uniforme sendo impresso com tinta sublimática.
Fonte: Henrick Strombeck
Depois de passar para o tecido, ele vai diretamente para uma máquina de corte a laser, que faz a separação dos uniformes e, depois, de maneira mais precisa, o corte é finalizado manualmente, um a um.
Após isso, cada retalho de uniforme é separado para ir para as mãos das costureiras, que dão vida às peças. Um teste de qualidade é feito com cada uniforme; caso não seja aprovado, retorna para a etapa de costura. Quando aprovado, o material esportivo passa diretamente para ser embalado e enviado ao cliente.
Apesar de ser um processo detalhado, ele acaba se resumindo em uma coisa: a identidade do clube. Com os atletas e torcedores fardados nas cores do seu respectivo time, eles defendem um propósito juntos e, ali, cria-se um senso de comunidade.