Levantar a taça de campeão do futebol varzeano é sonho de qualquer atleta, equipe ou torcida. Desde a criação de um elenco até a inscrição no campeonato, tudo isso com um só sonho, uma só razão: sair vitorioso e se tornar campeão.
As instruções pela lateral do campo, a voz rouca de tanto gritar nos jogos dos domingos ensolarados pela manhã, a angústia de ver o plano tático falhar, mas a satisfação de ver uma substituição que muda a cara da partida com suas ordens.
Primeiro, veio a consagração como jogador, sendo herói dentro de campeão em 2005. Anos depois, a glória retornou, mas, dessa vez, como professor, campeão pelo time do Nova Esperança em 2014, título que exigiu paciência, estratégia e gestão de vestiário. A transição de executor para instrutor é um caminho que poucos trilham com sucesso.
Mas, nem sempre foi assim, anos atrás, não era com sua voz, eram suas mãos que defendiam os chutes dos adversários, calibrava o pé para seus passes e tiros de meta, suando pelo campo, enquanto pulava de um lado para o outro, evitando a tentativa de gol. No futebol de várzea de Sorocaba, onde ser campeão é uma marca que se carrega para a vida toda, Ronye Santos, atual técnico do Vila Helena, conquistou um feito incomum, ele não só conhece a glória de levantar a taça, como a conhece de ângulos diferentes.
A trajetória de Ronye no futebol amador de Sorocaba começou em 2005, não somente vitorioso, tornou-se um colecionador de títulos. “Eu fui bicampeão amador principal, bicampeão veterano, bi quarentão e tenho um título do cinquentão”, diz Ronye.
Para ele, que nunca jogou profissionalmente, o esforço é um pré-requisito para se manter em forma e em alto nível, “Eu tinha que me esforçar mais para estar realmente jogando com o pessoal”, admite. A dedicação valeu a pena, a lembrança mais marcante como jogador é justamente a do início dessa jornada. “Como atleta, quando eu fui campeão, eu acho que o primeiro título. Fui eleito Prêmio Panathlon também, então, foi uma bênção de Deus poder ser campeão.”
Curiosamente, sua transição para técnico não foi planejada, começou através de uma necessidade e se tornou natural em sua vida. A estreia como técnico veio no susto, depois de um imprevisto. Ronye relata: “A princípio, eu assumi como técnico porque a gente montou um time, e o técnico, que era o Carboneira, nos últimos instantes, ele meio que abandonou o projeto. Aí eu entrei de técnico meio que de repente, por um jogo.” O que era para ser um “tapa-buraco”, em 2012, virou uma nova carreira, com uma trajetória de sucesso. “Desde 2012, a gente tem disputado sete finais, sendo bicampeão da taça e cinco vices”, completa Ronye.
De luvas ou prancheta na mão, a sensação de ser campeão é única, e esse é o verdadeiro troféu na carreira de Ronye. Seja como goleiro ou como professor pelas laterais, a paixão pelo várzea de Sorocaba continua em seu coração.