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Uma demonstração da força feminina

Por Imar Caike Coelho
Em um esporte predominantemente masculino, com determinação e paixão, a torcida organizada feminina é considerada como o 12º jogador do time.

Uma das maiores motivações dentro de qualquer esporte são os torcedores, eles que fazem os esportes crescerem e sua torcida é crucial para o seu desenvolvimento. No futebol de várzea não é diferente, por mais que seja reduzida em questão de quantidade, por se tratar de times de bairros e comunidades, a paixão que os torcedores têm pelo seu time e sua maneira de torcer, equivale as torcidas de times profissionais.

Na cidade de Sorocaba, são mais de 100 torcidas de diferentes times da várzea, são diversas torcidas que acompanham, há anos, seus times do coração. Um dos grandes nomes de torcidas organizadas, em Sorocaba, é a Torcida Vila Loucura, presente em todos os jogos do A. A. Vila Helena.

Além dessas tradicionais torcidas, há um forte movimento que ganha forma e voz própria: a força feminina. As mulheres estão cada vez mais presentes nos campos de futebol.

Já para Solange da Silva, participante da torcida, o diferencial em relação às torcidas do futebol profissional é a proximidade que tem com os jogadores. “Num time profissional, você não tem contato direto com o jogador, não sabe a história de vida do jogador, aqui é diferente, quando se tem esse acesso com os jogadores e todo esse acolhimento por parte da torcida”, diz Solange.

Outro grande exemplo é a tradicional equipe A. A. Magnólia, time que leva o nome do bairro e, com cores vibrantes em seu logo,  sua torcida não fica de fora do seu papel como 12° jogador, a Torcida Organizada MGL no Ar. Mais do que mera coincidência, no meio da arquibancada, temos a presença de um seleto grupo de torcedores da Sangue Azul, torcida do time São Bento, que mesmo torcendo para o time da cidade de Sorocaba, apoiam os times de seus bairros, carregando as duas cores, vermelho do Magnólia e azul do São Bento.

Lorrane dos Santos, atual presidente da torcida, revelou-nos que a iniciativa da criação da organização foi através de uma ideia repentina, já existia um grupo de esposas de diretores e presidentes de clube que estavam sempre presentes nos jogos, assim, logo a ideia se tornou algo maior. “Quando eu cheguei no time, tinham grupos separados na arquibancada, cada um num quanto. Eu tive a ideia de criar um grupo no WhatsApp e, hoje, somos 43 meninas no grupo, com a intenção de sermos uma organizada mesmo, não só uma torcida”, disse a presidente. E sua principal motivação é a união, que é a base para o crescimento do grupo, impulsionada pelo ambiente acolhedor que a organização possui.

Lorrane destaca que não houve dificuldades para criação e aceitação da torcida, “o Dalmatas não teve dificuldade nenhuma em ter torcida feminina, nunca tivemos, graças a Deus. E, hoje em dia, é até interessante a mulherada vir perguntar pra gente como faz para entrar na torcida.”

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Uma demonstração dessa transformação nos campos de várzea é o grupo de mulheres que criaram a sua própria torcida organizada e, desse modo, todas as mulheres do bairro e região podem se sentir bem-vindas. A Torcida Organizada Feminina do Dalmatas, time do bairro Cajuru, foi criada por mulheres que enxergaram que precisavam de uma torcida independente e exclusivamente feminina. Apesar de os cantos serem os mesmos da outra torcida do mesmo time, elas são uma torcida única e unida, sempre representando as cores azul e branco nas arquibancadas.

O que este grupo feminino prova é que, no futebol de várzea de Sorocaba, a arquibancada não tem gênero, elas não são apenas um apoio, elas buscam seu espaço e se tornam parte da forte torcida do time. Vai além de apenas torcer, elas organizam, lideram e inspiram, mostrando a maior demonstração de força feminina que o esporte de bairro poderia ter.

Essa conexão com os jogadores, que transformam as vibrações nas arquibancadas, faz com que as torcidas organizadas virem parte do espetáculo, tornando-se o 12° jogador do time. Solange, questionada sobre qual legado deseja deixar na história do Dalmatas, a reposta “uma torcida apaixonada” soa de forma leve de sua boca. “Queremos deixar esse legado, de mulheres apaixonadas pelo futebol. Porque o futebol é muito masculino, mas a gente quer deixar esse legado que as mulheres também podem torcer, podem gritar, podem chamar a atenção, porque eles ouvem, viu! E ouvem muito bem!.”

Torcida Vila Loucura após o apito final entre o jogo do Dalmatas F.C. na Arena Vila Helena, em que o A. A. Vila Helena ganhou o jogo por 2 x 1 de virada.
Fonte: Imar Caike Coelho.
Solange da Silva, torcedora da Torcida Organizada Feminina do Dalmatas e a presidente da torcida, Lorrane dos Santos, respectivamente.
Fonte: Imar Caike Coelho.

Torcida Organizada Feminina - Dalmatas

Torcida MGL no Ar com seus cantos durante a partida entre o A.A. Magnólia e A.E. Maria Eugênia, pela 8° rodada da Taça Cidade Sorocaba 2025. Magnólia saiu derrotado por 2 x 0.
Fonte: Pedro Egídio.
Torcida Organizada Feminina do Dalmatas e Dalmaloucos na arquibancada com seus cantos durante a vitória do Dalmatas sobre o time E.C. Pieroni por 11 x 0.
Fonte: Imar Caike Coelho.