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Felipe Dias destaca a importância social da várzea: “O que eu mais gosto nos jogos é poder ter contato com pessoas que, se não fosse o futebol e a várzea, não teria oportunidade. Sorocaba é uma cidade muito grande, então, conhecer novos núcleos, novas amizades e contatos é sempre muito gratificante.”

 
A paixão é o motor, mas a realidade da várzea traz consigo desafios que, por vezes, beiram o risco. A violência e a precariedade dos campos são temas recorrentes nas falas dos atletas.

 
“Se falar de várzea e não falar de briga, aí não é várzea de verdade”, afirma Matheus Oliveira, que já esteve em brigas mais feias em finais de campeonato. A tentativa de manter a consciência de adulto para “não prejudicar a vida pessoal” é uma constante para ele.

 
Apesar de reconhecer a paixão das torcidas – “é um amor de pai pra filho, de vô pra pai, é um negócio, assim, que vem de geração pra geração” –, Matheus Gambera lamenta o que considera ser um problema da várzea: a violência. Ele relata o episódio traumático em que sua namorada, Juliana Moraes, foi ferida por uma bomba estourada pela torcida: “Tentaram jogar uma bomba no gramado, mas ela ricocheteou em uma árvore e foi parar no pé dela. Ela teve problemas de audição por dias e teve cortes pelo corpo, causados por pequenos estilhaços. Me fez pensar em continuar ou não na várzea, inclusive.” Gambera também critica a qualidade dos campos: “Os campos são muito ruins, muito ruins... além do risco do jogo ser ruim, ainda você corre um risco absurdo de lesões.”

 
Mesmo diante dos riscos, o futuro para esses atletas é nos gramados da várzea.

 
“Pretendo continuar jogando a várzea, né?! Vai passando a idade aí, e quando bater a idade do veterano, vamos pro veterano também”, planeja Matheus Oliveira, que vê, no futebol de final de semana, um momento de descompressão. Gambera compartilha o mesmo desejo: “Acredito eu que, ano que vem, estarei novamente jogando alguns campeonatos da várzea.”

 
A paixão, a competitividade e o desejo de estar no campo continuam sendo a força vital que alimenta a várzea. Esses atletas não apenas se mantêm jogando; eles mantêm viva a cultura, a tradição e o espírito do futebol de raiz, provando que a grandeza de um jogo não está apenas no seu palco, mas no fervor inesgotável de quem o joga.