Para os profissionais de imprensa, essa estrutura é fundamental e é bastante rara no contexto da várzea sorocabana. Andrey Polez, de 26 anos, proprietário do canal do Youtube “Barba na Várzea”, que faz transmissões dos jogos dos campeonatos de futebol amador de Sorocaba, explica que “a verdade é que você não tem estrutura, a gente dá um jeito com o que a gente tem, montamos andaime, colocamos uma tenda com cadeira que a gente mesmo leva, porque estrutura a gente não tem”, explicou Andrey.
Já no campo do Jair, a história é diferente, como explica Rodrigo da Silveira, dono do podcast “É da várzea”, e de um canal que publica os melhores momentos das partidas. “Você pega lá o campo do Jair, por exemplo, com internet à cabo, energia elétrica e tudo mais, uma estrutura que nem o estado municipal tem”, disse Rodrigo.
E o que já era bom, está se tornando ainda melhor, pois Nogueira já está concluindo a construção de uma outra lanchonete, ao lado da arquibancada, localizada no outro lado do campo, com o intuito de separar duas torcidas rivais em jogos mais “quentes”. Ele viu a necessidade de realizar essa reforma, pois a prefeitura já enxerga esse campo como um dos melhores locais para a realização de jogos entre times com grande rivalidade. “A prefeitura não nos apoia, nós que apoiamos a prefeitura, porque quando tem um jogo entre dois times meio complicados, eles mandam o jogo pra cá”, explicou. “Então, nós recebemos eles de braços abertos, sem custo, porque a prefeitura que tá pedindo. Então, aqui eu acho que é um dos campos onde é mais difícil de sair aquele quebra-pau, nunca houve isso aqui, sempre teve o respeito.”
A solução para o problema da estrutura, para muitos, não está no poder público, e sim no investimento privado, como ocorre no Campo do Jair. Atualmente, o apoio da prefeitura por parte daqueles que administram os campos é praticamente inexistente. Wagner Silva, atleta veterano de várzea que também participa do podcast “É da várzea”, comentou sobre a falta de qualidade dos gramados, e explicou que os clubes não podem esperar que essa ajuda venha do poder público. “Prefeitura não vai fazer isso porque é gasto, e não é prioridade. Os clubes ficam esperando a prefeitura, e a prefeitura não vai dar o que tem de melhor, de mais bonito, não adianta.” Entretanto, Wagner salienta que os clubes poderiam oferecer algo em troca, para que a prefeitura e a secretaria de esportes justificassem o investimento, citando a cidade de São Paulo como exemplo a ser seguido. “Eu penso que, ao invés deles ficarem terceirizando seu campo, alugando seu campo, por que não fazer um projeto social? Por que não procurar pessoas para fazer um projeto social, para levar esse retorno à sociedade? Eles querem muito da prefeitura e eles não correm atrás. Porque justamente isso aconteceu em São Paulo. A maioria dos clubes tem projeto social e são todos frutos de emendas.” A maioria dos clubes de São Paulo já tem campo de grama sintética através do poder público. “Em Sorocaba, eles cobram muito da prefeitura, e a prefeitura não vai fazer nada", completou Wagner.
A mudança é necessária, mas ainda está distante no horizonte. De acordo com dados fornecidos pelo secretário de Esporte de Sorocaba, Victor Hugo Tavares, o orçamento da Secretaria de Esportes e Qualidade de Vida (Sequav) para 2026 é de pouco mais de 37 milhões de reais, desses, 15 milhões são para recursos humanos, 11 milhões para custeio e 11 milhões para outros investimentos. Porém, esse orçamento é para toda a pasta e precisa cobrir muito mais do que a manutenção das estruturas onde o futebol é praticado. E, para termos uma ideia, o custo para a implementação de um gramado de grama sintética semi-profissional, que seria uma ótima solução para a melhoria dos gramados e um custo menor de manutenção, é de um milhão de reais, de acordo com Ronomarcos. Com isso, vemos que o orçamento público simplesmente não chega perto de ser suficiente para mudar, de maneira significativa, a situação dos campos de futebol da cidade.