O futebol está presente na vida dos brasileiros desde o nascimento. Você pode não ser adepto ao esporte ao longo da vida, mas, em algum momento, você se deparou com algum time que ganhou seu coração, ou ouviu falar de Pelé ou Maradona. Lado a lado do futebol profissional, corre o futebol de várzea, em que surge grande parte dos jogadores profissionais e, também, aqueles que não conseguem alcançar o estrelato, mas seguem jogando ou inseridos no meio por livre e espontâneo amor.
Em Mairinque, cidade do interior de São Paulo com pouco mais de 45 mil habitantes, vive Domingos Ferreira — motorista de van escolar durante a semana e técnico de futebol de várzea nos fins de semana. Aos 42 anos, ele equilibra a rotina de trabalho com o amor pelo esporte, que o acompanha desde os sete anos de idade.
“Comecei jogando futsal, com o seu Sebastião, lá na quadra da Vila Barreto. Era ele quem treinava a molecada. Foi o primeiro treinador que eu tive”, relembra Domingos, com um tom nostálgico e aquele sorriso que entrega o filme passando na cabeça.
Domingos Ferreira.
Fonte: Acervo Pessoal
Foto 1 e 2 elenco do Família Miguel. Fonte: Acervo Pessoal
Hoje, Domingos é técnico do Família Miguel, time criado em 2011. Em homenagem ao sogro, um ex-jogador de várzea da região, muito conhecido pela comunidade. “Coloquei esse nome pra homenagear o meu sogro, que jogava muito. Era o mínimo que a gente podia fazer por ele”, conta. Além de comandar o Família Miguel, ele ainda atua como jogador no time veterano Ouro Verde, outro símbolo importante do futebol de várzea mairinquense.
Imagem 1: Elenco do Família Miguel. Fonte: Acervo Pessoal
Imagem 2: Domingos Ferreira ao lado dos veteranos do Sport Clube Ouro Verde. Fonte: Acervo Pessoal
Conciliar as duas paixões — dirigir e comandar um time — não é tarefa fácil. “Nos intervalos do trabalho, a gente se organiza pelos grupos de WhatsApp. Ali já dá pra montar o time, definir tática, ver quem vai pro jogo. Depende muito do adversário”, explica. A dedicação é tanta que, às vezes, ele chega a abrir mão de compromissos profissionais para estar na beira do campo. “Já paguei motorista pra me substituir, só pra poder estar lá com o time. É paixão mesmo.
” A esposa, companheira de mais de duas décadas, também faz parte dessa rotina. “Ela já se acostumou. Ela ajuda a lavar o uniforme, faz um almoço pro time quando tem final de campeonato... Tá comigo em tudo”, diz com orgulho. Essa parceria familiar reflete o espírito comunitário que sustenta o futebol de várzea: união, amizade e amor ao jogo.
Elenco do Família Miguel após vencer o campeonato "Pegada Safada".
Fonte: Acervo Pessoal
Para Domingos, o futebol vai muito além das quatro linhas. É sobre convivência, aprendizado e transformação social. “O sonho da gente é criar um projeto com crianças, um projeto social mesmo. Tirar a molecada da rua, mostrar o caminho do esporte. Mas, por enquanto, o tempo é curto…quem sabe mais pra frente, né?!.”
Mesmo com as dificuldades, ele segue firme, acreditando no poder do futebol amador. “Enquanto Deus me der saúde, quero estar ali na beira do campo, incentivando, ajudando. É a minha paixão, não tem como parar.”
Entre uma viagem de van e uma reunião tática, Domingos representa milhares de apaixonados pelo várzea: pessoas comuns que, com simplicidade e amor ao esporte, mantêm viva a alma do futebol brasileiro.
Quer saber mais sobre a Família Miguel Futebol Clube ou o Sport Clube Ouro Verde? ou quem sabe apoiá-los? entre em contato através de suas redes sociais abaixo e fortaleça o futebol de várzea regional!